Definição: Artrose, também chamada osteoartrite, é uma doença articular degenerativa crônica caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem articular, com alterações secundárias no osso subcondral, formação de osteófitos e inflamação da membrana sinovial. É a doença articular mais prevalente no mundo e a principal causa de dor e incapacidade funcional em adultos acima de 50 anos.
Detalhes: A artrose de joelho afeta aproximadamente 15% da população mundial acima de 40 anos e mais de 50% acima de 65 anos. No Brasil, estima-se que mais de 15 milhões de pessoas convivam com a condição. É mais comum em mulheres (proporção de 2:1 após a menopausa) e tem forte componente genético — filhos de pais com artrose têm risco 2–3x maior de desenvolver a doença. Apesar de ser chamada de "desgaste natural", a artrose é uma doença ativa com componente inflamatório significativo — a sinovite secundária amplifica a dor e acelera a destruição cartilaginosa. A cartilagem articular não tem capacidade de regeneração — uma vez destruída, não se reconstrói. O objetivo do tratamento é desacelerar a progressão, controlar os sintomas e manter a função.
Fatores de risco: Idade (principal fator — prevalência aumenta exponencialmente após 50 anos), sexo feminino (especialmente após a menopausa — perda de estrógeno reduz proteção cartilaginosa), obesidade (cada kg extra multiplica a carga no joelho em 3–5 kg — fator de risco modificável mais importante), lesões articulares prévias (ruptura de menisco, LCA — aceleram artrose em 5–10 anos), desalinhamento articular (joelho varo ou valgo), ocupação (trabalho com ajoelhar, agachar ou carregar peso repetidamente), genética, fraqueza muscular de quadríceps.
Classificação radiológica de Kellgren-Lawrence: Grau 0: normal — sem alterações. Grau 1: osteófitos incipientes duvidosos, sem redução do espaço articular. Grau 2: osteófitos definidos, possível redução discreta do espaço articular — sintomas leves possíveis. Grau 3: osteófitos moderados, redução definida do espaço articular, possível esclerose subcondral — dor funcional frequente. Grau 4: osteófitos graves, espaço articular muito reduzido ou abolido, esclerose subcondral extensa, deformidade óssea — dor constante, limitação grave.
Sintomas: Dor que piora com atividade e melhora com repouso (característica da artrose — oposto da artrite inflamatória), rigidez matinal de curta duração (menos de 30 minutos — diferente da artrite reumatoide que persiste mais de 1 hora), crepitação (rangidos ao movimentar o joelho), derrame articular intermitente, limitação progressiva de amplitude de movimento (extensão completa e flexão profunda são as primeiras comprometidas), deformidade articular em fases avançadas (varo ou valgo progressivo), instabilidade por frouxidão ligamentar secundária ao desgaste.
Tratamento — pirâmide terapêutica: Conservador de primeira linha (todos os pacientes): exercício físico regular de baixo impacto (caminhada, natação, ciclismo — reduz dor em 40–50% e melhora função), fortalecimento de quadríceps (reduz carga articular em 30%), controle de peso (perda de 5% do peso corporal reduz dor em 20–30%), fisioterapia, joelheiras de suporte, educação do paciente. Conservador de segunda linha: anti-inflamatórios (uso criterioso e intermitente), infiltrações de corticoide (alívio de 4–8 semanas), ácido hialurônico intra-articular (viscossuplementação — evidências moderadas, melhora em 3–6 meses em artrose leve a moderada), palmilhas ortopédicas (joelho varo — cunha lateral). Cirúrgico: osteotomia tibial alta (realinhamento em pacientes jovens com artrose unicompartimental e desalinhamento), prótese unicompartimental (substitui apenas o compartimento afetado), prótese total de joelho (artrose avançada difusa — padrão-ouro, excelentes resultados em 90% dos pacientes por 15–20 anos).
Exercício na artrose — por que é o melhor tratamento: Paradoxalmente, o movimento é o melhor tratamento para a artrose — apesar da dor inicial. O exercício melhora a nutrição cartilaginosa por difusão do líquido sinovial, fortalece os músculos que absorvem impactos, melhora a propriocepção, reduz a inflamação sistêmica e melhora a qualidade de vida. Pacientes que se exercitam regularmente têm 50% menos dor e 40% melhor função que sedentários com artrose equivalente.
Relação com joelheiras: A joelheira de compressão é um dos tratamentos conservadores de primeira linha para artrose de joelho — recomendada pelas principais diretrizes internacionais (OARSI, ACR). Mecanismos de ação: compressão terapêutica reduz a sinovite e o derrame articular, estimula mecanorreceptores melhorando a propriocepção (comprometida na artrose), aquece a articulação (neoprene) reduzindo a rigidez, e oferece suporte psicológico que aumenta a confiança para atividades físicas. Joelheiras de descarga (unloader braces) são especialmente indicadas em artrose unicompartimental com desalinhamento — redistribuem a carga do compartimento afetado para o saudável, reduzindo dor em 40–60% e melhorando a função em estudos controlados. Para artrose bilateral, usar joelheiras nos dois joelhos.
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