Menisco Medial

Definição: O menisco medial é uma estrutura fibrocartilaginosa em forma de "C" localizada na parte interna (medial) do joelho, posicionada entre o côndilo femoral medial e o platô tibial medial. Funciona como amortecedor, estabilizador e distribuidor de carga no compartimento interno da articulação.

Detalhes: O menisco medial é o mais lesionado dos dois meniscos — aproximadamente 2 vezes mais que o menisco lateral — por conta de sua maior fixação à cápsula articular e ao LCM, o que limita sua mobilidade e o torna mais vulnerável a forças rotacionais. Absorve aproximadamente 50% da carga que passa pelo compartimento medial durante a caminhada e até 85% durante o agachamento profundo. Tem formato de "C" aberto (mais alongado que o lateral), com corno posterior (parte de trás) sendo o mais frequentemente lesionado. A zona de irrigação determina o prognóstico: a zona vermelha (periférica, bem vascularizada — 10–30% do menisco) tem boa capacidade de cicatrização; a zona branca (central, avascular — 70–90%) não cicatriza espontaneamente.

Tipos de ruptura: Longitudinal vertical (ruptura paralela às fibras — comum em jovens por trauma agudo, boa resposta ao reparo cirúrgico), horizontal (paralela ao platô tibial — típica de degeneração, comum após 40 anos), radial (perpendicular às fibras — compromete a função de distribuição de carga, pior prognóstico), em alça de balde (ruptura longitudinal longa onde a porção central se desloca para o interior do joelho — causa travamento, emergência cirúrgica), complexa (combinação de padrões — frequente em rupturas degenerativas avançadas).

Sintomas de lesão: Dor na linha articular medial (parte interna do joelho) ao pressionar com o dedo, inchaço gradual nas 12–24 horas após lesão aguda ou intermitente nas lesões crônicas, sensação de "clique", "estalos" ou "travamento" ao dobrar e estender o joelho, dor ao agachar profundamente ou girar o joelho com carga, dificuldade em subir e descer escadas, dor ao cruzar as pernas. Rupturas pequenas podem ter sintomas mínimos por semanas ou meses antes de se manifestarem completamente.

Diagnóstico: Exame físico com testes de McMurray (rotação com compressão), Thessaly (apoio unipodal com rotação) e compressão de Apley. Ressonância magnética é o padrão-ouro — classifica o tipo, extensão e localização da ruptura com precisão de 90–95%. Raio-X simples não visualiza o menisco mas descarta fraturas e avalia artrose associada.

Tratamento: Conservador (lesões pequenas, estáveis, zona vermelha, paciente com baixa demanda): fisioterapia intensiva por 6–8 semanas com fortalecimento de quadríceps e isquiotibiais, joelheira articulada para proteção, retorno gradual às atividades. Taxa de sucesso de 60–70% em rupturas selecionadas. Cirúrgico: reparo por sutura (preferível — preserva o menisco, recuperação de 3–4 meses) ou meniscectomia parcial (remoção da parte lesionada — recuperação de 4–6 semanas, mas aumenta risco de artrose a longo prazo). Meniscectomia total é evitada.

Relação com joelheiras: No tratamento conservador, joelheira articulada com hastes laterais reduz as forças rotacionais e de cisalhamento sobre o menisco, protegendo a lesão durante a cicatrização e permitindo atividades com menor risco de agravamento. No pós-operatório de reparo meniscal, joelheira travada controla a amplitude (geralmente 0–60° nas primeiras semanas, com progressão semanal conforme protocolo). No retorno ao esporte após meniscectomia parcial, joelheira de compressão reduz o edema residual e melhora a propriocepção no joelho com menisco reduzido.

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