Cartilagem Articular

Definição: A cartilagem articular é um tecido conjuntivo especializado, liso e resistente que reveste as superfícies ósseas dentro da articulação do joelho, permitindo o deslizamento praticamente sem atrito entre os ossos durante os movimentos e distribuindo uniformemente as forças de carga sobre o osso subcondral.

Detalhes: A cartilagem hialina articular do joelho tem espessura de 2–7 mm dependendo da localização — sendo a mais espessa na face posterior da patela (até 6–7 mm) e nos côndilos femorais centrais. É composta por 70–80% de água, 10–15% de colágeno tipo II (responsável pela resistência à tração) e 5–10% de proteoglicanos (responsáveis pela resistência à compressão e pela retenção de água). O coeficiente de atrito da cartilagem articular saudável é de 0,001–0,003 — menor que qualquer material artificial desenvolvido pelo homem, incluindo Teflon. A cartilagem é completamente avascular (sem vasos sanguíneos próprios) e quase totalmente aneuronal (sem nervos) — recebe nutrição exclusivamente por difusão do líquido sinovial durante o movimento articular. Essa avasculares é o principal motivo de sua limitada capacidade de regeneração — lesões cartilaginosas não cicatrizam como osso ou músculo.

Zonas da cartilagem articular: Zona superficial (tangencial): fibras de colágeno paralelas à superfície — resistência ao cisalhamento, proteção contra abrasão. Zona média (transicional): colágeno em arranjo oblíquo — transição entre as zonas superficial e profunda. Zona profunda (radial): colágeno perpendicular à superfície — ancoragem ao osso subcondral, maior resistência à compressão. Zona calcificada: interface entre cartilagem e osso subcondral — transição gradual de rigidez para evitar concentração de tensões.

Carga e nutrição — por que o movimento é essencial: A cada ciclo de carga e descarga (como na caminhada), o líquido sinovial é "bombeado" para dentro e fora da cartilagem por difusão — levando nutrientes (glicose, oxigênio) e removendo resíduos metabólicos. Repouso prolongado reduz essa difusão e "desnutre" a cartilagem. Por isso, repouso absoluto é contraproducente no tratamento da artrose — o movimento controlado e de baixo impacto (caminhada, natação, ciclismo) é fundamental para manter a saúde cartilaginosa.

Causas de desgaste: Envelhecimento natural (após 40 anos a síntese de colágeno e proteoglicanos diminui progressivamente), trauma articular (rupturas de menisco e ligamentos aceleram o desgaste por comprometer a distribuição de carga), desalinhamento articular (joelho varo ou valgo concentram carga em áreas específicas), obesidade (cada kg extra multiplica a carga sobre a cartilagem em 3–5x), atividade de alto impacto repetitivo sem recuperação adequada, imobilização prolongada (reduz difusão de nutrientes), genética.

Lesões cartilaginosas — classificação de Outerbridge: Grau 1: amolecimento e edema da cartilagem (condromalácia inicial — reversível). Grau 2: fibrilação superficial — superfície "felpuda" com lesões menores que 1,5 cm. Grau 3: fissuras profundas até o osso subcondral, lesões maiores que 1,5 cm. Grau 4: exposição do osso subcondral — cartilagem completamente destruída na área (equivalente à artrose avançada). Os graus 1–2 têm potencial de estabilização com tratamento conservador; graus 3–4 geralmente requerem intervenção cirúrgica ou manejo da artrose resultante.

Tratamento de lesões cartilaginosas: Conservador (graus 1–2): fisioterapia para fortalecimento muscular, controle de peso, suplementação de colágeno e condroitina (evidências moderadas), ácido hialurônico intra-articular (viscossuplementação), joelheira de suporte. Cirúrgico (graus 3–4 sintomáticos): condroplastia (alisamento artroscópico), microfraturas (perfurações no osso subcondral estimulam fibrocartilagem de reparo — resultados moderados), mosaicoplastia (transplante autólogo de plugs de cartilagem saudável — melhores resultados em lesões focais menores que 4 cm²), implante de condrócitos autólogos (ACI — técnica mais avançada), prótese unicompartimental ou total (lesões difusas avançadas).

Relação com joelheiras: A compressão terapêutica das joelheiras (15–25 mmHg) contribui para a saúde cartilaginosa ao estimular a circulação do líquido sinovial durante o movimento — melhorando a nutrição por difusão. Em artrose com desgaste cartilaginoso assimétrico, joelheiras de descarga redistribuem a carga do compartimento desgastado para o saudável, reduzindo a pressão sobre a cartilagem lesionada em 30–40%. O movimento com joelheira é preferível ao repouso absoluto — mantém a "bomba sinovial" ativa, essencial para a sobrevivência da cartilagem remanescente.

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