Definição: O LCP (Ligamento Cruzado Posterior) é o ligamento mais forte e espesso do joelho, localizado no centro da articulação logo atrás do LCA, responsável por impedir que a tíbia deslize para trás em relação ao fêmur e por controlar a rotação do joelho em posições de flexão.
Detalhes: Com espessura aproximadamente 50% maior que o LCA, o LCP é o principal estabilizador posterior do joelho. Apesar de ser mais resistente, é lesionado com menor frequência — representa 3–20% de todas as lesões ligamentares do joelho, dependendo da população estudada (mais comum em atletas de contato e vítimas de acidentes de trânsito). O mecanismo de lesão mais clássico é o impacto direto na face anterior da tíbia com o joelho flexionado — como ocorre no painel do carro em acidentes automobilísticos ("lesão do painel") ou em quedas diretas com o joelho dobrado sobre superfície dura. Diferente do LCA, o LCP tem melhor capacidade de cicatrização natural, e muitas lesões isoladas — especialmente graus 1 e 2 — podem ser tratadas conservadoramente com bons resultados funcionais.
Classificação por grau: Grau 1 (estiramento leve): integridade do ligamento preservada, instabilidade mínima, translação tibial posterior aumentada em menos de 5 mm. Grau 2 (ruptura parcial): translação posterior de 5–10 mm, instabilidade moderada perceptível ao exame. Grau 3 (ruptura completa): translação posterior acima de 10 mm, instabilidade grave, frequentemente associada a lesões de outras estruturas (canto póstero-lateral, LCL, LCA).
Sintomas de lesão: Dor na parte posterior do joelho (atrás, no espaço poplíteo), sensação de instabilidade ao descer escadas, rampas ou ao agachar — movimento em que a tíbia tende a "afundar" para trás, sinal da gaveta posterior positivo ao exame (tíbia se desloca para trás com joelho a 90°), inchaço moderado nas primeiras horas após lesão aguda, dificuldade de agachar completamente, dor ao ajoelhar. Os sintomas tendem a ser mais sutis que os da ruptura de LCA — muitos pacientes relatam apenas "sensação estranha" no joelho sem dor intensa.
Diagnóstico: Exame físico com teste da gaveta posterior (padrão diagnóstico), teste de afundamento tibial (sag sign — joelho a 90° com tíbia "afundando" para trás por gravidade), ressonância magnética (confirma a lesão, avalia extensão e estruturas associadas), raio-X em estresse para quantificar a translação posterior.
Tratamento: Grau 1 e 2 isolados: conservador na grande maioria dos casos — imobilização inicial por 2–4 semanas com joelheira articulada, seguida de fisioterapia intensiva focada em fortalecimento do quadríceps (principal compensador da instabilidade posterior), retorno gradual ao esporte em 8–16 semanas. Taxa de sucesso de 80–90% em lesões isoladas grau 1 e 2. Grau 3 ou lesões combinadas (LCP + canto póstero-lateral ou LCA): cirurgia reconstrutiva geralmente indicada, especialmente em atletas de alta demanda. Pós-operatório de 6–9 meses com protocolo específico de reabilitação e joelheira.
Reabilitação específica do LCP: O protocolo difere do LCA em um ponto fundamental: os exercícios em cadeia cinética aberta de isquiotibiais (flexão de joelho com peso) são contraindicados nas primeiras 8–12 semanas, pois a contração dos isquiotibiais puxa a tíbia para trás — exatamente o movimento que o LCP cicatrizante precisa ser protegido. O foco inicial é no fortalecimento do quadríceps (que puxa a tíbia para frente, opondo-se à instabilidade posterior).
Relação com joelheiras: Na fase aguda, joelheira articulada com trava em extensão parcial (0–30°) limita a flexão que aumenta a translação posterior da tíbia, protegendo o LCP durante a cicatrização. Nas semanas seguintes, a joelheira articulada com progressão controlada de amplitude permite reabilitação segura. No retorno ao esporte, joelheira funcional com suporte posterior reforçado reduz a sensação de instabilidade e o risco de relesão durante movimentos de agachamento e descida. Para lesões grau 1 e 2, a joelheira de compressão convencional pode ser suficiente após a fase aguda.
Produtos relacionados: Joelheira Ortopédica Articulada Profissional (fase aguda e reabilitação), Kit ProFlex 360° (retorno ao esporte em lesões grau 1 e 2), Joelheira Articulada de Aço Floww Max (controle preciso de amplitude no pós-operatório)
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